DESVENDANDO CUBA

Conheci um diplomata cubano na UCLA em um evento sobre investimentos hoteleiros. Foi em janeiro de 2001. Fui convidado a visitar Cuba, pois queriam atrair capitais brasileiros para seu programa de investimentos em hotelaria.

Dois meses depois lá estava eu hospedado no Hotel Nacional em Havana, com motorista à disposição, carro novo, mercedez-bens. Sendo acompanhado por um alto funcionário do Ministério do Turismo até avião particular estava disponível para conhecer praias distantes como Cayo Coco e Cayo Guilhermo.

Ao final de três dias de visitas a praias maravilhosas reuni-me com o Ministro do Turismo cubano que me explicou a mágica de Cuba aportar 51% do capital para construção de um hotel sem colocar dinheiro.

Nos cinco minutos finais da reunião entra Raul Castro e se apresenta como idealizador do programa de investimentos em turismo. Bem humorado me diz que brasileiros deveriam investir em Cuba porque é o lugar mais seguro do mundo e me induz a perguntar o por quê. Ele responde “porque no hay el riesgo de los comunistas tomaren el Poder” e solta uma gargalhada.

Durante esses três dias fiz questão de trocar cartões de visitas com os gerentes dos hotéis e pude perguntar a alguns funcionários sobre salários, câmbio, qualidade de vida e liberdade. Depois que estava de volta ao Brasil recebi vários e-mails deles pedindo para eu enviar convites para eles estagiarem na minha empresa. Era a forma de fugir de lá.

A visão de Havana, um cortiço a céu aberto, somado à péssima qualidade de vida do povo, com acesso restrito à comida, a produtos de higiene pessoal e sem capacidade de estocar nada por ausência de refrigeradores, por exemplo, me causou profunda tristeza.

Mas o que mais me marcou foi a declaração dos carregadores de malas nos hotéis. Todos advogados e médicos. Optaram por essas profissões por conta das gorjetas, escondidas do governo e trocadas no mercado negro. Gorjetas representavam mais de três vezes o salário base. Sem as gorjetas não dava pra viver com um mínimo de dignidade, segundo eles.

Foi essa experiência que me levou a carregar minha família para conhecer Cuba em 2013. Queria mostrar a meus filhos o Museu Vivo do Comunismo.

Ao chegar, minha bagagem ficou retida na imigração. Fui levado a uma sala para ser interrogado. Abri minha mala. Lá estava o objeto tão procurado pela imigração cubana: um walkie-talkie. O que é isso? Respondi que minha esposa decidiu levar o aparelho para deixar com meus filhos. Aí poderíamos nos comunicar quando estivéssemos longe: um na praia e outro na piscina.

Tive que declarar o aparelho com número de série e tudo e mostrar os mesmos antes de sair do país. Afinal, poderia ser um instrumento de apoio às atividades de comunicação da oposição contra-revolucionária opressora. Tive que ouvir esse ridídulo.

Como fomos em grupo, meus irmãos com filhos, estávamos em 12. Programamos uma van com motorista e guia turístico que falava português. Era uma senhora, esposa de um embaixador. Havia aprendido português quando o marido serviu em Angola.

Ela parecia ser uma pessoa vivida e aberta. Então perguntamos à guia sobre a vida em Cuba. Ela pediu para falarmos baixo porque o motorista deveria ser informante do Partido Comunista. Queríamos apenas saber se podiamos dar para camareiras e funcionários dos hotéis materias de higiene pessoal que havíamos trazido: pastas de dente, escovas, sabonetes, shampoos, fio dental, essas coisas. A guia tomou um susto e pediu desesperadamente que dessemos tudo para ela. Meu Deus! Que desespero da esposa do embaixador por simples pastas de dente…

Visitamos Havana. Continuava um cortiço a céu aberto. Nenhuma nova construção, mesmo tendo-se passado doze anos de minha primeira visita. Triste. Muito triste.

Fomos à noite a um “comedor”. Estabelecimento comercial de gastronomia explorado dentro da casa de uma família. Orientaram-nos no Hotel Meliá Cohiba qual o melhor “comedor” de Havana. Vieram nos buscar com carro BMW novo. Chegamos ao local e subimos três andares de escada. Conforme subíamos de piso avistávamos moradias pobres, com pessoas com rostos tristes e falando alto. Chegamos ao topo do edifício. Jantamos na lage, literalmente. Comida horrível, mas o dono do estabelecimento estava orgulhoso pelo excelente trabalho. Quando fomos embora o dono do comedor dirigiu o carro BMW e exigiu uma paga pelo transporte. Tipo extorsão. Fingimos que eramos do Partido Comunista no Brasil e que conhecíamos muitos líderes cubanos. Pediu-nos desculpas. Declarou que tinha conseguido a licença para o comedor porque também era do Partido. Pessoas comuns não tem acesso a esses benefícios…

Meu irmão e meu cunhado são amantes de charuto. Visitamos uma fábrica famosa. O guia da fábrica fazia contrabando de charutos. Combinaram uma troca de sacolas na piscina do hotel. Parecia filme de James Bond. Só para comprar duas caixas de charutos!!!

E tudo isso em um cenário com propaganda da revolução cubana em todos os cantos… outdoors velhos em praças, nas ruas, nas vielas… uma propaganda bem opressora… há cinquenta anos oprimindo os cubanos…

Não preciso dizer que meus filhos voltaram com a certeza de que o socialismo não é o que qualquer ser humano decente deve considerar. Voltaram mais liberais e democratas, graças a Marx e a Fidel…

E existem brasileiros que defendem o socialismo sem sequer ler os livros da história e sem conhecer esses absurdos territórios tirânicos como Cuba.

E assim o Brasil continua sem rumo, com inconsequentes defendendo o socialismo, com tecnocratas se agarrando ao Poder e criando mais privilégios, com empresários irresponsáveis tentando fugir da competição pleiteando reserva de mercado e a sociedade sendo explorada para sustentar um Estado gordo, improdutivo, perdulário e corruptor.

Está na hora de mudarmos o modelo.

Vamos devolver o Poder ao Povo!

3 ideias sobre “DESVENDANDO CUBA

  1. Sou testemunha desta aventura do meu filho e sua família. Confesso que depois dos relatos minha visão de mundo alargou-se, de modo que interessei-me por política, assunto inexistente até então nas minhas leituras.

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